24 de julho de 2009

Coisas que perdemos pelo caminho


É um pouco assustador, quando há algum tempo atrás, você olhava para seus amigos e em meio festas que sempre davam o que falar no dia seguinte, as brigas por causa de situações bobas, ou até mesmo uma simples reuniãozinha no meio da semana com pipoca e filme que ninguém conseguia assistir, você imaginar que um dia tudo aquilo iria acabar. E assim como entraram, eles iriam sair da sua vida.
Eu lhe digo aqui, meu caro, que mais assustador ainda é quando isso sai da imaginação e se transforma em acontecimento. E tudo o que aconteceu se transforma em imaginação, lembrança, saudade. Uma troca um pouco injusta, mas necessária e eu lhe digo por quê.
Não temos muito tempo para viver. Vivemos aproximadamente 80 ou 90 anos, alguns até mais que 100. E quanto vive uma árvore? E o Planeta Terra tem quantos anos? Uma estrela que parece ser tão pequena no céu vive milhões de anos, e já pesquisou no Google quantos anos tem o Universo?
Somos simples Seres de passagem por aqui, por que queremos ter tudo para sempre? Chegamos de mala vazia, mas o tempo nos faz conseguir coisas importantíssimas, coisas que iremos precisar nessa passagem. Então, guardamos na mala.
O primeiro amor do Jardim de Infância lembra? Aquele que odiava meninas, pois na realidade nenhum menino com seis anos gosta muito de menina. E talvez quando crescem continuam não gostando, mas isso é outra história.
Se lembra também de quando você ralou o joelho aprendendo a andar de bicicleta? Achando que seu pai estava segurando atrás, não alcançou o chão e isso fez você ficar com um ralado por semanas! E as primeiras notas ruins? As primeiras ficadas, a segunda, a terceira, o milésimo amor. O cheiro da sala da diretora, a adrenalina de pular o muro da escola para assistir filme e comer pipoca às 10 da manhã, aquela viagem inesquecível com a turma do colegial, as primeiras bebedeiras, as diversas brigas, aquelas festas em que ninguém era de ninguém. Aquele beijo na amiga que virou amor, e de amor virou ódio. E do ódio, com jeitinho se transformou em amizade, amizade essa que nunca mais foi a mesma. E aquele amigo estepe? Todo mundo tem. Nos dias em que a carência toma conta, é só ir atrás dele que ele te dá um ombro amigo, um abraço, um beijo, até vocês pararem na cama!
Das finais dos campeonatos de futebol, das horas no MSN não conversando coisas úteis, do primeiro a “sair” da turma, o segundo, o terceiro.
E quando não se restou mais ninguém, mais nada além de lembranças você percebe que perdeu coisas pelo caminho. E agora? Voltar para buscar? Voltar não é impossível. Tente, mas não vai encontrar mais nada lá. O Tempo é inimigo delas, vão se decompondo tão rapidamente que ao encontrá-las não parecem ser as mesmas coisas que estavam na mala. Isso se você conseguir encontrar algumas delas. E mesmo que continuem intactas, não vai ter mais espaço para elas. Já vai ser tarde demais. Você não ouviu no momento em que caíram, o tempo passou e você foi preenchendo o espaço que elas deixaram. Já não dá mais, porque tudo que está lá dentro agora é importante para você.
Então, meu caro, continue. Pois se elas caíram da mala é porque tiveram que ceder espaço para as demais coisas que iriam entrar e você precisa dessas agora.
Você vai sentir falta, um dia você vai sentir falta de c-a-d-a item da mala, mas continue, apenas continue. Faça com que no dia em que não precisar mais carregá-la, você se sinta como se tivesse carregado TUDO o que precisava.


*

4 Turistas:

Marina Melow disse...

Oi Daia, lendo o seu texto me bateu uma nostalgia.. Às vezes tenho até vontade de chorar lembrando do meu passado. A melhor fase da minha vida foi a minha infância, mas como eu fui feliz quando eu era criança! Às vezes eu fico sozinha relembrando dessa minha época, viagens, brincadeiras, amigos que hoje não são mais meus amigos...Lembro de tudo, tudo..não deixo passar nada! Realmente tudo o que é bom dura o tempo necessário pra se tornar inesquecível.


beijos.

Ricelly Gama disse...

Cara *-* eu tô passando por isso e tô me perguntando essas coisas. Já tava indo no meu blog pra contar sobre os amigos que "saíram" mas agora meio que me conformei, obrigado pelo texto :D

Bruna disse...

Bahhh...

P A R A B É N S pelo texto menina...

um dos melhores que já li por aí!

O Profeta disse...

O desejo mora no limite da razão
Há tanto de intemporal em ti
Solta a palavra em lábios inquietos
As cores do teu “eu” penso que não vi

Imaginei-as mil vezes
Ouro de lei, a limpidez dos diamantes
O pensamento é cavalo errante
Feito na viagem de breves instantes


Boa semana



Doce beijo